22/01/2009

Israel x Palestina: entenda como começou a briga

Conflito existe há mais de 60 anos e já matou milhares de pessoas

Gazetaweb com colaboração de Victor Guerra
18/01/2009 – 20h06min

Nos últimos 22 dias, o mundo acompanhou uma onda de ataques por parte do Estado de Israel contra o povo palestino na região centro-leste do Oriente Médio. A investida que começou no fim de dezembro de 2008 já superou a marca de 1.200 mortos, em sua ampla maioria de origem palestina, e mais de 5.000 feridos. Os números e a desproporcionalidade entre as vítimas impressionam, principalmente pelo fato de Israel ser um Estado de origem judaica que já sentiu na pele a perseguição anti-semita que culminou no genocídio de seu povo.

Mas o conflito entre israelenses e palestinos não é algo novo, que possa simplesmente ser explicado pela atuação religiosa do grupo político Hamas. A trama envolve mais do que lançamentos de mísseis e extremismo religioso. Trata-se de uma história complexa e violenta que atinge um território que é menor do que Alagoas, mas que já rendeu milhares de mortos e a impopularidade de uma país (Israel) que vem sendo questionado por toda comunidade internacional pelo possível genocídio que está cometendo em pleno século XXI.

Origem do Estado de Israel

No final do século XIX e começo do século XX, quando o povo palestino habitava a região onde hoje existem Israel, Cisjordânia e Faixa de Gaza, observou-se o início de um fluxo de judeus para as terras árabes conhecidas como Palestina. A chegada de pessoas de origem judaica ao território palestino não causou problemas e foi feita sem qualquer guerra, estabelecendo os judeus pequenas colônias (kibbutz) e vivendo pacificamente com os árabes. Esse deslocamento de pessoas de origem judaica se dava pela crescente onda de antissemitismo, movimento caracterizado pelo princípio de “ódio aos judeus” (judenhass), que assolava o mundo.

A ascensão do nazismo, encabeçado por Adolf Hitler, levou o preconceito contra os judeus a um nível alarmante, que acabou no extermínio de mais de 6 milhões de pessoas. Começou-se então a discussão sobre a possibilidade de criação de um país para a população judaica, pensou-se na Argentina, no Chipre, em Uganda e até no Sinai. Mas nesse momento o Sionismo ganhava força de atuação na questão. Esse movimento é caracterizado pelo princípio de criação de um Estado judeu.

Raphael Eitan, chefe do Estado Maior das Forças Armadas Israelenses e um dos seguidores do sionismo, em 1947, revelou um pouco da essência do movimento que pretendia formar o Estado Judeu:

“Declaramos abertamente que os árabes não tem qualquer direito a um só centímetro de Eretz Isral. Os de bom coração, os moderados, devem saber que as câmaras de gás de Adolf Hitler serão como brincadeira de criança. O único que entendem e entenderão é a força. Utilizaremos a força mais decisiva, até que os palestinos se aproximem de nós de joelhos”.

Um dos teóricos da corrente sionista, o húngaro Theodor Herzl, que escreveu o livro O Estado Judeu, revelou em sua obra que a escolha da Palestina estava relacionada com a existência de Jerusalém. Segundo ele, apenas o argumento da terra sagrada seria capaz de mobilizar a massa judaica a invadir e lutar por um território. Países ocidentais como EUA e Grã-Bretanha automaticamente apoiaram a decisão, pois viam na região escolhida um local estratégico para seus interesses. Era uma área em que os países imperialistas não possuíam aliados, e ainda existia o Canal de Suez que é um ótimo corredor de transporte.

Processo de Invasão

Em 1946, pouco antes da criação do país israelita, existiam na região aproximadamente 1.500.000 palestinos e 500.000 judeus. Apesar de o número de árabes ser o triplo da população judaica, em 1948, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece o Estado de Israel e dá aos judeus 57% das terras. Para o professor e historiador Gustavo Pessoa, essa desproporcionalidade foi possível devido ao alto grau de comoção proporcionado pelo holocausto. “O genocídio judaico veio a ser conveniente para o movimento sionista criar o Estado judeu. Para se ter uma idéia, foram 6 milhões de judeus mortos e eles se vitimizaram muito mais do que os 20 milhões de soviéticos que morreram” – lembrou ele.

Esse processo de partilha das terras foi considerado injusto pelos palestinos, que contestavam as terras que outrora pertenceram a eles. Após esse primeiro momento, outras guerras aconteceram como a de Independência, a de Suez, a dos Seis Dias e a do Yomkippur (dia do perdão). Isso fez com que os israelenses tomassem posse de quase 100% do território anteriormente delimitado pela ONU. Além disso, o Estado de Israel também invadiu outros países como Síria (Colinas de Golã) e Egito (Península do Sinai). Esses avanços militares causam a migração de mais de 2 milhões de palestinos para países vizinhos.

Aos que permaneceram no território, restou serem encurralados ou na Cisjordânia ou na Faixa de Gaza, com uma densidade demográfica de 4.000 pessoas por km². Após décadas de conflitos e a percepção de que as vias diplomáticas não resolveriam o problema, começou-se um levante popular que seria conhecido como Intifada. Em 1988, o povo dominado rechaça a invasão sofrida e pessoas vão às ruas enfrentar os soldados israelenses com paus e pedras nas mãos.

Israel, a última democracia do Oriente Médio?

Uma das grandes defesas que o governo dos EUA faz à criação de Israel no Oriente Médio é de que seria o último país democrático da região. Mas esse caráter de democracia não faz sentido quando se lembra que a essência do novo país é a de um Estado judeu, e que garante, constitucionalmente, o acesso àqueles que reivindicarem o judaísmo. Algumas leis criadas pelos israelenses também vão contra essa imagem que procura passar o governo norte-americano.

A Lei da Nacionalidade é um exemplo disso, onde, segundo ela, qualquer cidadão que se casar com alguém de origem do povo ocupado, perde seus direitos junto ao Estado. A Lei do Retorno, por sua vez, diz que qualquer judeu do mundo pode migrar para Israel e obterá inúmeros privilégios, aos quais os palestinos não têm acesso devido ao fato de não serem judeus. Há ainda a Lei do Ausente que determina a expropriação das terras palestinas que não tenham sido trabalhadas durante algum tempo, quando o mesmo não vale para as propriedades de posse judaica.

Mas nenhuma delas supera a chamada “Lei das Terras”, na qual 90% das propriedades privadas devem pertencer apenas a judeus, não podendo o povo palestino adquirir quaisquer terras, ainda que já tenham sido suas, caso a negociação infrinja essa porcentagem.

Hamas e o processo de paz

Quanto a violência do lado palestino, comumente se atribui os ataques ao grupo extremista religioso Hamas. Esse grupo, criado no final de 1987, pode ser entendido como um movimento islâmico de resistência que busca recuperar as terras palestinas e criar uma república baseada no islamismo, trilhando o mesmo caminho dos sionistas. Poucos sabem, mas os próprios membros do Hamas chegaram a ser financiados pelos EUA, na tentativa de enfraquecer outro grupo palestino, o Fatah.

O jogo político norte-americano acabou dando errado, pois o Hamas utilizou o financiamento que vinha da América do Norte, mantendo o princípio de destruição do Estado de Israel, e ainda adquiriu alta popularidade junto à população palestina. Primeiro pelo trabalho de base que realiza junto aos palestinos, em serviços de educação, saúde, assistência, dentre outros. E segundo, devido ao fato de o grupo islâmico se manter fiel à reivindicação das terras.

A Organização pela Libertação Palestina (OLP), que se transformou em Autoridade Nacional Palestina após reinterpretar sua relação com Israel, aceitou a invasão e o novo Estado. Isso causou certa insatisfação na população, que vivia em condições miseráveis, e pretendia lutar para recuperar suas antigas terras. Sobrou então apenas o Hamas como grupo político que, não por coincidência, ganhou as eleições para gerenciar a Faixa de Gaza. Mas, obviamente, que a ideologia difundida pelo grupo Hamas não poderia ser a solução para a região, seria como trocar a criação de um Estado judeu por um Estado islâmico.

A possibilidade de um processo de paz na região não parece chegar ao horizonte dessa geração. No último sábado (17), foi iniciado outro cessar-fogo, mas logo depois houve novo confronto, e uma centena de palestinos morreu em bombardeio israelense. Para Gustavo Pessoa, a única saída para o conflito seria retornar toda área à Palestina. “Imagino na verdade que esse fim está muito distante, e isso só aconteceria se os dois lados estivessem dispostos a aceitar uma Palestina laica. Uma solução como essa só poderia ser possível com a destruição do projeto sionista, que em larga medida significaria o fim do Estado de Israel” – enfatizou ele.

Assim, quando se fala em um acordo de paz, é preciso entender que cada parte irá impor suas condições. O Hamas propôs um cessar-fogo de um ano em troca da retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza e o fim do bloqueio de fronteira imposto por Israel. O Estado judeu por sua vez, exigia o desarmamento do Hamas e a continuidade de fiscalização das fronteiras de Gaza.

Atualidade

Diante desse histórico, é possível entender o sentido do que está acontecendo no Oriente Médio, e a dificuldade em se conseguir um acordo de paz. O historiador Gustavo Pessoa acredita que a ofensiva israelense é, na verdade, uma resposta a opinião pública. “Israel precisava dar essa resposta, sobretudo ao vizinhos muçulmanos após a derrota para o Hezbollah em 2006. A resposta tem a finalidade de reafirmar a superioridade militar e garantir uma correlação de força favorável a manutenção do atual governo israelense em um ano eleitoral” – revelou.

Mas o resultado final dessa tentativa de imposição acabou trazendo um saldo extremamente negativo para os israelenses. Israel recebeu uma reprovação geral da comunidade internacional, que condenou o que agora se assimila a uma série de medidas que está tomando o caráter de um genocídio. Surgiram protestos por todo o mundo, e até mesmo dentro da capital Jerusalém aparecem manifestações pró-palestinos.

A ONU, por sua vez, já revelou a possibilidade de abrir investigações contra Israel sobre possíveis crimes de guerra. Apesar disso, não há esperanças de que a entidade internacional avance na questão. Basta lembrar quem em 2003, os EUA invadiram o território iraquiano sem autorização das Nações Unidas. O caso é semelhante, mas os norte-americanos, desta vez, agem, indiretamente, enviando bilhões de dólares para aumentar o poderio bélico dos israelenses.

Últimas notícias

Neste domingo (18), Israel acabou cedendo e anunciou uma retirada gradual de suas tropas do território palestino, mas ainda não afirmou se será total e quanto tempo irá demorar. O governo do Hamas, por sua vez, declarou um cessar-fogo de uma semana e garantiu que está disposto a negociar com os países árabes da região para garantir um tempo maior de paz na região. Acompanhe abaixo um cronograma dos dias de conflito.

14 comentários

Eriketa Franco disse...

Muito Boa sua matéria! Parabéns ^^

Guylherme disse...

Muito bom Otimo trabalho...
Apoio 100% os Judeus. o povo que mais sofreu e merece ta onde ta neste momento

JOSE HENRIQUE disse...

VARIAS VEZES CHEGUEI A TER PENA DOS JUDEUS EM FUNÇÃO DO HOLOCAUSTO PROVOCADO POR HITLER.
É DE SE LAMENTAR QUE OS JUDEUS NUNCA TIVERAM SEU TERRITÓRIO PARTICULAR E EM FUNÇÃO DISTO, TIVERAM QUE VIVER COMO CIGANOS... ATÉ AÍ TUDO BEM........
MAS INVADIR O QUE NÃO LHES PERTENCE E NUNCA OS PERTENCERAM, DEPOIS DISSO, RECEBER O AVAL DA ONU PARA A CRIAÇÃO DO ESTADO JUDEU ONDE OS JUDEUS ERAM APENAS "BEM VINDOS" PELOS MUÇULMANOS, ABRIR GUERRA CONTRA O PROPRIO POVO QUE OS ACOLHEU, E PRATICAMENTE "TOMAR" NA FORÇA AQUILO QUE NUNCA LHES PERTENCERAM, ISSO É O FIM.
ISSO SEM CONTAR QUE OS EUA TEM MUITA CULPA NISSO TUDO...... QUE SE BANCAM DE "BONZINHOS" E POR TRÁS DE TUDO SÃO OS RESPONSÁVEIS PELO HOJE "HOLOCAUSTO DO POVO PALESTINO PROVOCADO PELOS JUDEUS DE ISRAEL", AFINAL É EXTREMAMENTE INTERESSANTE PROS ESTADOS UNIDOS MANTER ISRAEL ARMADA ATÉ OS DENTES POIS ELES SÃO NADA MAIS NADA MENOS QUE "UM BRAÇO AMERICANO NO ORIENTE MÉDIO", QUE ESTA SIMPLESMENTE "AO LADO" DE PAÍSES COMO IRÃ, IRAQUE, ETC.
OS PALESTINOS TEM O MEU APOIO.
FODAM-SE OS JUDEUS LADRÕES E OS ESTADOS UNIDOS.

Ministério Um Toque de Unção disse...

CARO AMIGO MÁRIO,

VC SE ENCONTRA ENCOBERTO DE ENGANOS, E PELO VISTO É UM PLENO DEFENSOR DE DIREITOS ILEGAIS, EXAMINE O LIVRO DE EXODO, SE É QUE VC LE A BIBLIA E VEJA QUE A MAIS OUMENOS 8000 ANOS ATRAS TODA ESTA TERRA QUE VC DIZ SER DOS PALESTINOS FOI DADA POR DIREITO AOS JUDEUS, ELES APENAS ESTAO PEGANDO UM PEQUENA PARTE DO QUE SEMPRE FOI DELES, QUE ABRANGE MUITO MAIS QUE AS FRONTEIRAS DE ISRRAEL E ATÉ OUTROS PAISES,
ARLEN

rosana disse...

Sim eu concordo com o amigo José Henrique, Os Judeus sofreram tanto com a falta de liberdade na alemanhã, agora está fazendo o mesmo com os Palestinos, eu sei que essa é a terra prometida a Abrão Cnaã, porém que Deus é esse que os judeus seguem, que por causa de terra prometida estão matando sem dó, crianças mulheres inocentes. Não importa onde você mora ou que religião você segue o importante é a Vida do ser humano, a paz a liberdade, gostaria de saber a sua opinião se eles invadissem o Brasil e pegasse sua mulher e seus filhos se você tiver e matar com armas de fogo e você não tem culpa que a terra era dos outros antepassados, você mudaria sua opinião, e os EUA é muito sujo eles querem sempre ser os primeiros e nem que para isso eles tem que matar o mundo todo, eles são os piores e eles vão pagar por isso pode ter certeza.
Bom essa é a minha opinião.

Lenna disse...

Perfeito Rosana, concordo com vc, afinal, Deus quer que amemos nosso próximo como a nós mesmos, e façamos por ele o que gostaríamos que fisesse por nós, Jesus falava sobre o amor, o perdão a misericórdia, e não é exatamente isso que o povo de Israel vem praticando.
Guerras intermináveis, não creio que seja essa a vontade de Deus para o seu povo.

Mário Júnior disse...

Pessoal, uma observação: reparem no marcador "imprensa". Isso significa que ou é uma postagem sobre a imprensa ou teve o conteúdo retirado dela.

Neste caso, cabe a segunda opção. É uma reportagem do portal Gazetaweb. Tem um link para ela no topo do post e o nome do responsável pelo texto (e também um link para o perfil dele no Orkut). Não é um texto escrito por mim (embora eu compartilhe da visão do autor) e eu nem excluí os créditos de quem o escreveu.

E basta reparar no meu perfil ao lado direito para ver que eu sou ateu, por isso o que está na bíblia não fundamenta minha opinião sobre a política!

Ricardo Gabriel disse...

o gostei muito por que me ajudou na apresentaçao que eu tinha q fazer

Anônimo disse...

Acho que a terra é para todos

Anônimo disse...

Judeus são porcos. Deveriam viver em um choqueiro de porcos!

Milena disse...

Sou totalmente contra os Judeus!! Tudo bem que é a "Terra Prometida" deles mas agindo dessa forma eles não merecem tal Terra. Que tipo de Deus se alegraria em ver um povo massacrando o outro somente para seu próprio benefício? Isso é trágico. E a propósito, tenho pena de quem apoia os Judeus.

Anônimo disse...

O fato é que essa guerra nunca irá acabar. É evidente que o ocidente lucra com o fornecimento de material bélico, isso sem contar, que no texto também ressalta que o proprio EUA invadiu Iraque sem permissão da ONU.

Anônimo disse...

Vim aqui para saber o porquê de tanta guerra e, sem textos longos, você sintetizou uma história de conflitos! Parabéns à matéria bem publicada!

Gerson disse...



Concordo totalmente com a postura de Israel, pois estão apenas reivindicando um direito antigo, que lhes foi tirado quando permaneceram escravos do Egito. Para refrescar a memória dos esquecidos, os índios brasileiros devem também continuar as lutas pela posse de suas terras, afinal de contas, aqui já estavam quando da colonização.

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